“(...) Nossa sociedade
é de uma pluriculturalidade tal que poderia assimilar conceitos que associam as
mais variadas culturas.” (Luciano Guimarães, 2009. pag.90) Numa realidade onde
a sensibilidade humana se torna algo palpável, com maleabilidade, convertendo
elementos reais em itens que compõem a arquitetura da dimensão onde se encontram,
em forma de obras de arte que representam itens da realidade externa,
construções que mantém a ordem e a estabilidade dessa realidade abstrata, se transforma em algo concreto aos
personagens, mas numa outra concepção já que não se trata do mundo externo,
onde as leis normais da física funcionam como conhecemos se trata de uma
realidade constituída de abstrações existentes no interior do homem, e tudo
aquilo onde ele se motiva para gerar seus sonhos, a sua imaginação.
“
Goethe apresentou dois outros elementos na construção do conceito da cor:” o
sentido da visão” e a “sensibilidade”.(Luciano Guimarães, 2009. pag.10) Essa
interpretação pode ser entendida sob várias maneiras na história, tanto na
parte dos personagens como no que os afeta e o que os motiva a existir num mundo tão rico, há a necessidade de se ter uma variedade enorme de elementos que o
fortalecem, que o sustentam, dessa forma, uma realidade como essa jamais
poderia se concretizar, sem as cores, exemplificando, no que foi usado como
base na história do projeto, a dimensão do sensível e tudo que faz dela
funcional.“(...) embora tivesse iniciado os estudos sobre as cores a convite de
Ghoete, discordou de seu mestre (...) e definiu a cor como outro elemento, “A
consciência” onde o mundo do sensível é a nossa representação. Schopenhauer ( Luciano
Guimarães, 2009. pag.12 )
Essa
relação pré-ordenada do abstrato com as cores é compreendida amplamente no
universo do que compõe o homem internamente, e mesmo de acordo com algumas
afirmações do próprio Wassily, só há equilíbrio quando ambos estão
harmoniosamente exercendo suas capacidades para que não prejudique o que povoa
os sentimentos e a vitalidade que permeia o coletivo dos sonhos e a abrangente
diversidade da imaginação humana.
Esses
fatores tendenciaram o desenvolvimento da história, nesse sentido e dentro das
teorias de Kandinsky tudo o que norteia as cores foi inserido, obviamente incluindo
as cores primárias itens que são alicerces de todas as suas variações incluindo uma das mais
conhecidas, as sete cores consideradas primordiais, que inseridas notabilizam
ainda mais a intenção dos rumos da aventura, amarrando com o que foi
apresentando como meios solucionadores de problemas encontrados, e a quantidade
exata da relação de sinestetas e as cores primordiais, como ressalta Lilian R.
M. Barros e Luciano Guimarães, logo em
seguida.
As
cores destacam essa atmosfera de sonho e dá ás formas a outra dimensão,
fundamentadas na intuição e na associação simbólica do artista. (Lilian Ried
Miller Barros, 2008. pag.207)
Aristóteles
– Cor como propriedade dos corpos, defendido em sua obra “De Sense ET
Sensibili.Para ele, a cor teria como origem o enfraquecimento da luz branca, ou
seja, todos as cores seriam originadas da interação da luz com a obscuridade.
Com “o branco e o preto, sete seriam as cores primordiais, das quais derivam as
demais. (...) A partir da publicação da lei correta da refração, de Descartes,
Isaac Newton se empenhou no estudo da refração da luz (1642 – 1727) e realizou,
em 1666, a decomposição da luz branca em sete cores principais: vermelho,
laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. (Luciano Guimarães, 2009.pag.9)
Essa
idéia está representada no personagem “branco” (Kandinsky) onde toda a sua
busca foca-se simbolicamente no resgate de cada uma das cores, e ainda apresentando seus representantes impares já
definidos as formas geométricas estão inseridas e representadas na arquitetura
dessa dimensão, mais especificamente as três formas apresentadas pela Bauhaus
consideradas as primárias e catapultadas por Kandinsky, o triângulo, o circulo
e o retângulo, onde derivam todas as outras formas, seguindo uma mesma premissa
juntamente com as cores, que compõem tanto a realidade interna, quanto externa
do homem,e também são as originárias, como Ellen Lupton, J. Abbott,
exemplificando afirmações de Kandinsky.
O
termo tradução aparece no livro da Bauhaus escrito por Kandinsky Ponto e Linha
sobre Plano, em que ele se refere ao ato de desenhar correspondências entre
marcas gráficas, lineares, e uma série de experiências não gráficas, tais como
cor, música, intuição espiritual e percepção visual:” Todo fenômeno dos mundos
externo e interno pode receber uma expressão linear - um tipo de tradução. (Ellen Lupton e J. Abbott Miller apud: W. Kandinsky,2008.pag.30)
Frisando
essa relação do interno e externo do homem, e a existente ligação de ambos, incluindo
as personalidades que deles se sustentam. “O homem do ponto de vista” externo
“é “interno”. Receptividade para as formas e as cores. ”(W. Kandinsky, 1996,pag.110)
Coordenadas pelo arquiteto do abstrato, Kandinsky o pintor e reinterpretador da
visão do mundo externo para o interno, com a administração e supervisão de
OIiver Sacks, representando a consciência coletiva da humanidade estão inseridos
nesse contexto, nesse relacionamento entre os mundos.
Considerando
a nossa realidade, o mundo externo, o real, apresentou durante o decorrer de
sua história, erros sucessivos e prejudiciais até os dias de hoje, o homem
entrega a própria vida num mar de violência insensata e egoísta, sem medir
conseqüências e cada vez mais crescente, é como se desvalorizássemos nossa
existência, nós mentimos, roubamos e matamos desenfreadamente, futilmente, como
se fosse algo banal,e a dor, e o medo, prevalecem, parece que perdemos a
própria consciência do que nos torna únicos, e os considerados quatro
cavaleiros do apocalipse passeiam livremente pelo nosso planeta, há tempos.
Fome,
peste, guerra e morte, são coisas que nunca deixaram de existir durante todo o
trajeto histórico humano. Mesmo um mundo que fornece tanta imaginação, tanta
cor, também pode fornecer coisas inversamente proporcionais, como a perda delas
em várias situações, e convertendo em momentos monocromáticos, uma
representação que simboliza a ausência das cores, e os tons frios, pobres e
acinzentados, também influenciam interpretativamente na psique humana. “Efeito
das cores sobre seres vivos: psicológico: efeito sobre caráter.”(W. Kandinsky ,1996.pag.58)
A possibilidade de admitir muitas interpretações,
ou seja, polissemia é uma característica fundamental da arte, que até certo
ponto podemos também atribuir a cor (...) (Luciano Guimarães apud: W.
Kandinsky, 2009. pág.97)
Ainda
a demonstração da capacidade da arte de agregar uma amplidão de julgamentos e
percepções, onde o mundo interno conseqüentemente também pode ser afetado, os
mesmo significados das cores estão nessa realidade e são diretamente
convertidos pelas atividades e ações que desgraçam e assolam o ser humano, e
gradativamente chegaram ao limite e a inevitabilidade da perda dos valores que
sustentam o abstrato, conseqüentemente a cor e seus significados também
atingiram os dois seres que de lá se ocupam, Oliver e Kandinsky.
A
posição do artista na aventura é clara, após se recuperar do “acidente” em que
sofreu, mesmo estando afetado, não conseguindo mais enxergar a cromaticidade
das coisas, caracterizando como daltonismo crônico e raro, ele procura além de
suas teorias e percepções sobre o mundo abstrato e de como podemos ter uma
possível interpretação do mesmo em outra realidade, e de sua representabilidade
longe de ser simplificada
[...]
“Não percebemos o mundo como um dado bruto, desprovido de significados.” [...] (W.
Kandinsky, 1996. pág.170) perdendo os principais itens pertencentes à estrutura
da dimensão em que exerce sua função, a ausência da cor é também usada como
pano de fundo catalisador de enfermidades de ambos os personagens, e de suas
condições além de representar a destruição do positivismo no mundo real, e as
sobras dessa falta, indicarão o meio pelo qual se buscará a possível solução.
Numa observação mais simbólica é a luta do branco e do preto, dos opostos para
a completude da união das cores, e ainda segundo o próprio pintor.
Em
oposição ao preto, o branco é a cor da vida e da paz. “A binariedade branco
/preto é normalmente polarizada e assimétrica, atribuindo-se o valor positivo
ao branco e negativo ao preto, inicio e fim.” “Por vezes, o preto, como
não-cor, estará em oposição à presença das cores. (...) (Luciano Guimarães
apud: W. Kandinsky, 2009. pag.92)
Kandinsky
foi afetado parcialmente, porque manipula somente as engrenagens dessa
realidade, e não comporta toda a representação do pensamento humano, apenas a
simbologia parcial de peças fundamentais ao funcionamento da dimensão abstrata,
ao contrário de Oliver que abrange um todo, e é a própria consciência coletiva.


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