quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

FUNDAMENTAÇÃO - O Resgate da Consciência

 O Roteiro


A história referenciada para este projeto de novela gráfica (história em quadrinhos de autor comumente direcionada a um público adulto) parte do pressuposto de que existe uma dimensão paralela a nossa, uma realidade onde o interior, o espiritual do coletivo do homem, a constitui, onde toda a abstração proeminente da humanidade prevalece, onde cores e formas existem harmoniosamente, criando orquestrações cromáticas perfeitas.

Denominada aqui como “mundo do sensível” ou num termo mais técnico, segunda realidade. E é nessa realidade, onde dois seres são responsáveis pela manutenção e estruturação harmônica, que Wassily Kandinsky, caracterizado como um arquiteto, também pintor, responsável pela manutenção e estrutura de todo o local, e um Neurologista e Psicanalista, Oliver Sacks praticamente o coordenador da consciência coletiva.

A funcionalidade desse mundo depende do comportamento da consciência coletiva humana que reside na dimensão principal, que é de onde tudo se origina, e é necessário para a conservação dos alicerces que sustentam esse mundo, administrados por Kandinsky e Oliver.

Mas durante muito tempo a humanidade abusou de seus erros, e caminhou em constantes pecados e graças a isso, essa realidade foi ruindo aos poucos, e mesmo com o esforço conjunto dos responsáveis para mantê-la, a situação chegou num momento insustentável e tudo ruiu.

E após um longo silêncio, Kandinsky desperta atordoado, e olhando ao redor percebe que tudo está diferente, algo foi alterado, mas não sabe exatamente o que, ele sente que algo está errado, e percebe que só seguindo em frente, encontrará respostas, e o único som que ouve é o de seus passos.


Na curva dominante encontra seu amigo Oliver, sentado numa escada cabisbaixo, e percebe de longe o sentimento de dor e tristeza que dele exala.

Ao questioná-lo sobre a situação atual da dimensão que eles administram, e com enorme pesar nas palavras, Oliver lhe conta dos pecados cometidos pela humanidade no decorrer da conversação, e mesmo com boas ações, os erros persistiram em quantidade redobrada comparados as boas ações, e a perda da consciência foi uma questão de tempo.

Entendendo agora como sua visão e percepção dessa realidade foi obliterada por esses tristes acontecimentos, Kandinsky questiona Oliver na intenção de encontrar uma solução, e aos poucos percebe que ele também foi afetado, enquanto Wassily perdeu a capacidade de ver as cores, Oliver não enxerga mais.

Enquanto um representa o branco absoluto, o outro é a cor negra em seu mais alto simbolismo.

Mesmo com tudo desfavorável Kandinsky procura uma solução, vendo que a única maneira de restabelecer uma ordem no mundo do sensível, depende só dele, já que Oliver está praticamente sem forças, e totalmente entregue ao vácuo.

Conversando com Oliver, buscando uma resolução para tal situação eles apresentam teorias sobre o funcionamento da mente humana, através de outros sentidos, e passam por ritmo, música e cor, entre indagações sobre o comportamento e como suas ações afetaram seu mundo.


Eles conseguem encontrar um possível caminho, se resgatar as cores, tanto Oliver recuperará a sua visão juntamente com a consciência coletiva, quanto Wassily terá a possibilidade de restaurar o código cromático para sua própria visão, afinal ele vai mergulhar num novo mundo onde as cores foram distintamente convertidas e são submetidas aos caprichos dos pecados da humanidade, ele terá que não só readquirir a capacidade de compreender as cores, para poder direcioná-las ao trajeto positivo convertendo numa obra que simbolizará a consciência humana, como também salvar todo o espírito humano sem se perder completamente no processo.
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