sábado, 14 de outubro de 2017

ANÁLISE DE SIMILARES - Parte 1

Casa de Areia – ou era dois em meu quintal. (2005)

Paulista e um dos mais renomados desenhistas e escritor brasileiro, atingindo tanto o Brasil quanto o exterior com suas obras contemporâneas, Lourenço Mutarelli usa três narrativas diferentes que aparentemente não tem nenhuma ligação.
Nessa história de caráter metafórico com alguns elementos autobiográficos, há momentos de metalinguagem e alguns itens surreais, passada praticamente nos cômodos da própria casa do autor, que com seu traço único detalhado, rústico e marcante nos transmite um realismo às vezes incômodo mais impressionante.
Essa é a primeira impressão que temos da obra de Lourenço Mutarelli, quadrinhista que sempre fez trabalhos impares, e considerados alternativos, por apresentar temáticas sempre maduras e muitas vezes filosóficas e reflexivas.
Mas olhando mais profundamente, há um debate entre dois personagens que intercalam momentos da narrativa principal e que em primeira vista não se enquadram na história e parecem até quebrar o ritmo, mas no decorrer da leitura percebemos que não estão ali aleatoriamente, eles tem um papel de situar as discussões geradas na história, e com uma olhada mais minuciosa percebe-se um paralelo metafórico criando a possibilidade de encontrarmos mais referencias com a situação do enredo do que imaginamos.
Não se trata de uma história comum, para todo o público e sim de leitores mais refinados que estejam acostumados a esse tipo de material, mais underground.




 Fonte:http://empresas.devir.com.br/image/cache/data/caixa_de_areia_capa[1]-500x600.jpg
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Fundamentação Parte Final.

 “(...) a cor dependerá do contexto, ou ás vezes, de uma pequena variação na sua cromaticidade para adquirir a conotação adequada.” (Luciano Guimarães, 2009. pag.107) Seus ocupantes foram afetados de maneiras distintas, especificamente à visão, e ao modo de enxergar a cor, ou não enxergá-la. Oliver por representar a consciência da humanidade, teve uma abrangência maior nesse quesito, a ausência total da visão. Caracterizando-os com os significados que Kandinsky apresenta as cores, o pintor converteu-se na representação da cor branca, dessa forma já se subentende qual sua responsabilidade, sua finalidade e o papel que exercerá em toda a história.



Entendendo-se a conotação oposta a de Kandinsky que empregará para seguir em frente, e também do papel que está inserido, Oliver terá um comportamento resultante de sua perda, que foi significativamente abrangente, sua posição na história se torna algo entristecido, desestimulado, tudo que nega o otimismo, o positivo, e caracteriza-se como falta, ausência, e que está na simbologia da cor preta.
Essas representações fundamentaram-se na união das várias definições dos dois, na visão e nas afirmações segundo Kandinsky.

O equilíbrio perfeito entre o branco e o preto produz, cinza perfeito, que nasceu de dois silêncios e é o silêncio resultante da resistência invencível, tanto quanto o da falta de resistência. (W. Kandinsky. 1996. pág.99)
Todo o simbolismo da cor branca, e de seus usos rituais, decorre dessa observação da natureza: esses dois instantes, vazios, suspensos entre a ausência e a presença, entre a lua e o sol... (...) Por isso também é visto como cor iniciadora, cor da revelação, cor dos ritos de passagem. O simbolismo do branco oscila entre inicio e fim, nascimento e morte. ( Lilian Ried Miller Barros, apud: W. Kandinsky,2008. pag.200)
Branco – silêncio tenso. Preto – fechado em si mesmo. (...) Branco – resistência ativa. Preto – Buraco sem fundo, sem saída, a morte, silêncio. Preto – resistência passiva, abandono. (W.Kandinsky.1996. pag.45)
Branco – Parede sem fim, todas as possibilidades, a mais alta sonoridade, nascimento, silêncio. Na arte, não tratamos das propriedades físicas das cores, mas das tensões,... São valores internos. Interiormente o branco é quente, o preto é frio. Van Gogh colocou essa questão. A intuição desses valores leva à avaliação abstrata das cores. (W. Kandinsky, 1996. pág. 48/49)
É fácil uma harmonização por adição de branco, porque todas as cores aceitam o branco sem que sua tensão inicial se modifique profundamente. (W. Kandinsky, 1996. pág.99)


Ainda enxergando um mundo de tons acinzentados, situação que paralelamente se assemelha a um dos pacientes de Oliver numa história real, do qual graças a um acidente de automóvel, sofreu de daltonismo total e raro, e o mesmo é relatado em seu livro “Um antropólogo em Marte”(1995)  onde ainda estão mais seis casos de histórias paradoxais, onde seus pacientes apresentam várias doenças neurológicas acompanhadas e registradas por Oliver no livro.
Esses pacientes e suas histórias foram necessários para amarrar coerentemente o foco do roteiro e foram estrategicamente inseridas na segunda parte da aventura, sendo que cada um terá sua devida justificação para auxiliar na missão de Kandinsky, relembrando que toda e qualquer condição seja negativa ou positiva, carrega em si outro lado, que tenha uma exceção, algo que mesmo em menor escala, e visto como uma resultante oposta do que está na superfície, em sumo, toda doença tem seu lado aproveitável, porque de certa forma, ela nos apresenta outra perspectiva de como se vê o mundo, o antes e o depois em perspectivas diferentes o são e o doente, adjetivos que podem existir num único individuo, assim como a arte comporta situações que remetem a dubiedade, e está aberta a várias interpretações tudo depende da referência e do ponto de vista do espectador, a doença também tem em si esse pequeno paralelo invariavelmente destacando ainda mais a diversidade de adaptação humana, e traçando um paralelo com a própria capacidade da arte. “O caráter gratuito da arte conduz ao movimento oposto, á claridade, a integração na vida, ao “funcional. “Finalidade: ressaltar o centro, equilibrar o alto e o baixo, empregar o preto e o branco como acentos, o cinza como transição.” (W. Kandinsky, 1996. pág.117) O tom acinzentado está presente graficamente nas obras do artista plástico como plano de fundo e como construção da realidade em que vivem. A partir do ponto em que se perdem as cores os tons acinzentados se destacam e servem exatamente como o trajeto que o personagem “Branco” faz para encontrar o personagem “Preto” na história, dessa capacidade representativa é que Kandinsky comenta em seguida.

Uma obra de arte possui uma capacidade de agregar referências e conseqüentemente despertar sentimentos dos mais variados, precisamente no interior do ser humano. (W. Kandinsky, 1996. Pág.110)


O interior da coletividade humana é basicamente onde será a missão do artista plástico, relacionada aparentemente com a recuperação das cores para que elas voltem a integrar o universo e serem usadas corretamente e positivamente a favor do estimulo, da imaginação humana. Mas seu papel vai além de simples arrecadamento e organização, afinal no contexto apresentado pelo mundo do abstrato, as cores são partes que simbolizam a consciência e tudo que dela podem derivar, influenciando todo o comportamento coletivo do homem, com o meio em que vive sua própria realidade. “(...) Aquilo que se leva e se faz ocorrer na consciência é a própria existência. Esta é a função insubstituível da arte”. (Lilian Ried Miller Barros apud: Argan,2008. Pág.160)

  Em posse dessa conveniência, ele reutilizará sua representabilidade não só convencionalmente, mas podendo agregar a capacidade de englobar todo o contexto incluindo e ratificando a importância da própria escola fundadora do design na história, a Bauhuas, tudo isso em função da realização da futura obra que será criada a partir desse ponto, uma responsabilidade que o próprio pintor deverá tomar para si durante toda a concepção da mesma, e ainda levar consigo e guardada as devidas proporções os valores da antiga escola fundadora do design gráfico. “O objetivo final – ainda que distante – da Bauhaus é a obra de arte unificada”.( J. Abbott Miller apud:Gropius, 2008.pag.8)

Kandinsky fornece em seu primeiro livro – Do Espiritual na arte (1912) – explicações e fundamentos teóricos para a nova arte não figurativa. (...) O tom messiânico do seu livro e a natureza radical de suas pinturas contribuíram para a formulação de que Kandinsky era nada menos que um representante de um novo idealismo. (Lilian Ried Miller Barros, 2008. pag.159)


                           “A arte fortalece as forças, e as capacidades internas.” (W. Kandinsky, 1996. pág.111.) Em outras palavras, seu papel nessa realidade enaltece suas qualidades e corrobora na funcionalidade da direção de suas ações como um todo. Quando ele recuperar todas as cores, terá condições na etapa final de alimentar sua imaginação com o que recuperou e exercer sua atividade de pintor criando uma obra onde possa enaltecer o espírito humano, tão corrompido pelas ações impensadas do ser humano durante muito tempo e, uma obra que desperte os verdadeiros valores da vida humana, e inicie um novo rumo para que uma reflexão coletiva possa fazer surgir uma nova consciência.


Todas essas influências, sensoriais e místicas, reforçavam a vontade de Kandinsky de associar as linguagens das diferentes artes, a fim de libertar o espírito humano para um renascimento social. (Lilian Ried Miller Barros, 2008. pag.166)
Para Kandinsky, a obra de arte autêntica é aquela em que o artista consegue expressar sua necessidade interior usando como instrumento a harmonização entre as cores e formas. Uma vez atingida essa meta, a composição estabelece uma verdadeira ressonância com a alma humana. (Lilian Ried Miller Barros 2008, pag.207)
Mais tarde, a abstração acaba unindo-se a idéia do expressionismo. Segundo Rose-Carol, essa união ocorreu em 1912, quando o antinaturalismo se associou a idéia de antipositivismo e viu-se na arte abstrata a criação da visão de um mundo melhor, revelando-se símbolo visual do socialismo utópico. (Lilian Ried Miller Barros, 2008. pág.158)


Após as definições da natureza da mensagem e de quais caminhos o roteiro iria trilhar, o projeto precisava da geração das primeiras bases de imagens onde seria contada a história graficamente.

 Antes de ilustrar as páginas da história, o pesquisador manteve a aprendizagem básica lecionada por qualquer meio de ilustração, nos ensinamentos para a construção de qualquer tipo de ilustração, o processo inicial que é sempre constituído de uma base, uma espécie de esqueleto constituído de rabiscos, traços, linhas e inadvertidamente se baseando em formas geométricas para em seguida ser, lapidada e finalmente arte-finalizada.

Essa etapa mostrou-se bastante oportuna quando observando cada situação em que se encontrava o personagem, me permitiu inserir as simbologias existentes nas formas geométricas, já que ia utilizá-las para desenvolver as ilustrações, além da composição das páginas, pude enxergar o enorme potencial de valorização das teorias da Bauhaus e de Kandinsky, se acerca de seus conceitos sobre as formas primárias, as usasse em todas as etapas e elementos para o desenvolvimento gráfico do projeto.

Usando o potencial representativo reconhecido pelas tradicionais áreas do design, e incluindo ainda a psicologia das formas nos vários momentos de cada passagem da história encontradas pelos personagens, ainda com o acréscimo da psicologia das cores em várias situações encontradas na mesma e que norteiam todo o roteiro, só reforça ainda mais as bases acadêmicas fundamentadas pelo design gráfico.

A repetição desse trio de formas básicas e cores primárias na obra de professores e estudantes da Bauhaus evidenciam o interesse da escola na abstração e seu foco nos aspectos da visualidade que poderiam ser descritos como elementares, irredutíveis, essenciais, fundadores e originais. (J.Abbott Miller, 2008. pág.8)
Para Klee, Kandinsky e Itten, as três formas serviam como uma escrita com a qual a pré-história do visível podia ser analisada, teorizada e representada. ( J. Abbott Miller, 2008. pág.25)


Especificamente para Kandinsky, as três formas básicas se apresentavam em toda a forma de concepção que origina qualquer projeto gráfico. Para ele há uma ligação inerente entre as três, uma correlação que também constitui o espaço, o universo, está intrinsecamente ligado, ordenado e favorável a existência dessas formas, são elas que se inserem em toda e qualquer objeto gráfico, e são delas as derivações para as compostas.


Em 1923 Kandinsky propôs estabelecer uma correspondência universal entre as três formas elementares e as três cores primárias: o triângulo, dinâmico, seria inerentemente amarelo, o quadrado, estático, intrinsecamente vermelho, e o círculo, com sua serenidade, naturalmente azul. Hoje a equação perdeu seu apelo universal e passou a funcionar como um signo flutuante capaz de assumir diversos significados – inclusive o de evocar a própria memória da Bauhaus.( Ellen Lupton e J. Abbott Miller, 2008. pag.6)


Antes de se chegar a essas três formas e à definição das mesmas, para tracejar qualquer linha que desenvolvesse outros objetos, e constituísse uma construção de cunho geográfico, existe um item, um elemento que representa a ação inicial, o momento que sintetiza a origem incluindo as três formas básicas, uma mini circunferência preenchida, nomeado como ponto, também citado como o marco zero, onde tudo começa, onde a composição das formas é delineada e conseqüentemente os elementos que constituem a dimensão do objeto, assim como o próprio Kandinsky afirma.

O Ponto geométrico – interseção invisível de três planos = 0 = (zero) = (começo – origem).O ponto místico = segredo maçônico, isto é, o grande no infinitesimal = divindade= todo poderoso no menor de todos os símbolos = elemento original, de que decorrem todos os outros elementos.Três propriedades que o definem e que são variáveis: a dimensão,a forma e a cor.(W.Kandinsky, 1996. pág.61)

O ponto está representado tanto no inicio da aventura quanto no final, seja simbolicamente ou literalmente, e ainda assim estaria no recomeço para a segunda parte, em sumo, ele norteia todo o projeto, a circunstância de seu deslocamento também, conhecida como linha, mas em um momento decisivo ele assumiu sua real e específica alcunha de inicio, de recomeço, o zero, onde sua capacidade é demonstrada em favor do beneficio da missão de Kandinsky, guiando-o até onde ele precisa ir como uma bússola, Oliver indica e ele surge e devidamente vibrado abre o caminho ao qual surge uma “fenda” uma espécie de porta, e a partir daí a entrada para o desconhecido é mostrada, as possibilidades estão agora lhe apresentando um trajeto, uma linha que só o artista pode seguir, no caso, ouvir sua frequência até a outra extremidade enquanto perpassa por todas as sete cores, até o outro ponto, então o começo da aventura tem oficialmente inicio, e tudo isso com o auxilio de itens que o próprio pintor sempre usou e frisou em suas obras e reconhecendo-os como indispensáveis, e de acordo com algumas de suas citações:

(...) Qualquer ponto tem grande poder de atração visual ao olho, exista ele naturalmente ou tenha sido colocado pelo homem em resposta a um objetivo qualquer. ( Donis A. Dondis apud:W. Kandinsky, 2003.pág.53)
(...) Esse interesse no “ponto zero”, no primeiro momento é evidente no livro Ponto e linha sobre plano, de Wassily Kandinsky: ”Precisamos desde já distinguir os elementos básicos de outros, ou seja, elementos sem os quais uma obra [...] não poderia sequer existir.”
Nas artes visuais, a linha tem, por sua própria natureza, uma enorme energia. Nunca é estática; é o elemento visual inquieto e inquiridor do esboço. (...) Contudo, apesar de sua flexibilidade e liberdade, a linha não é vaga:  é decisiva, tem propósito e direção, vai para algum lugar,faz algo de definitivo.(...)A linha é o meio indispensável para tornar visível o que ainda não pode ser visto, por existir apenas na imaginação.”( Donis A. Dondis ,2003.pág.56)


Esse possível elo na imaginação da mente humana entre as formas e as cores possibilita ainda mais conceituações sobre ambos e ainda relacionando com o ritmo e, por conseguinte a música, que mesmo desprovidos em menor e maior grau das faculdades visuais se torna a única alternativa que resta para os personagens buscarem soluções, se utilizando inclusive através de seus significados, tudo interligando numa resultante favorável aos personagens e também ao ritmo da história.

Portanto dentro desse acontecimento a teoria de Ferdinand de Saussure propõe exatamente a relação dos sons e dos materiais.


(...) De acordo com a teoria do signo verbal proposta pelo lingüista Ferdinand de Saussure na virada do século XX, a linguagem consiste em dois planos distintos, porém inseparáveis: sons e conceitos, ou significantes e significados. Para que a massa caótica e indiferenciada dos sons potenciais possa se tornar o material fonético da linguagem, ela deve articular-se em unidades distintas e repetíveis; da mesma forma, o plano do pensamento precisa ser decomposto em conceitos distintos antes de  poder ligar-se a sons materiais.(...)( Ellen lupton e J.Abbott Miller, 2008. pág.31)


Na segunda parte da aventura quando Kandinsky estiver em cada cor, individualmente e com seu respectivo elemento impar, ele será impulsionado a se privar da visão e depender  somente do som tanto da voz de Oliver que será sua consciência, quanto do produzido pela  própria cor, e conhecendo historicamente sua experiência com a sinestesia, numa ópera de Richard Wagner (1813 – 1883),onde ele diz ter visto cores durante a apresentação, adequou-se funcionalmente no processo com os sinestetas.

Os pacientes sinestésicos, deverão ser encontrados para a partir daí juntos gerarem alguma sonoridade que faça o sinesteta lembrar-se de algo bom, algo que o faça recordar de memórias marcantes em sua vida. A freqüência precisa ser usada corretamente, em forma de música e sob os conselhos de Oliver, Kandinsky deverá implantar algo que estimule o despertar de sua visão, mesmo que só por um nível, para que juntos possam afetar toda a dimensão de uma determinada cor, e ele possa resgatá-la, afetando o que estava pondo todos os seres humanos dessa dimensão de certa maneira como escravos e invertendo para um som diferente do que estavam influenciando, e dessa forma possam gradativamente restabelecer o equilíbrio antes existente com a união de todas as cores. “(...) O equilíbrio é, então, a referência visual mais forte e firme do homem, sua base consciente e inconsciente para fazer avaliações visuais. (...)”(Donis A. Dondis, 2003.pág.32)

Esse equilíbrio inerente a todos os seres humanos também estará sendo exemplificado graficamente em alguns elementos das páginas da graphic Novel, e de acordo com Donis A. Dondis.

A palavra “gráfico” refere-se tanto à escrita quanto ao desenho – meios diferentes que usam ferramentas similares.Também refere-se a uma convenção utilizada pelas ciências – o gráfico - ,que representa uma lista numérica como uma linha continua desenhada em um espaço subdividido: o padrão formado pelo gráfico é percebido como uma Gestalt – uma forma ou imagem simples. (Donis A. Dondis,2003. pág.26)  


A gestalt está representada em várias fundamentações que decorrem durante toda narrativa visual, e essas formas se caracterizam implantadas coordenadamente no processo de organização visual, e sempre seguindo os parâmetros pré-estabelecidos e seguindo o contexto de cada página, além do direcionamento de cada diálogo dos personagens.


Preocupado com a representabilidade dos elementos compositivos em cada página, o pesquisador buscou utilizar a melhor maneira de favorecer a visão do leitor nas percepções gráficas das páginas. O projeto estrutura tudo sempre com o referencial da grade, gerada pelo módulo de cálculo, e sobre o eixo central das mesmas usadas matematicamente como base no espaço das formas geométricas, constituindo a geometrização necessária a qualquer projeto gráfico, para a disposição coerente e o equilíbrio dos elementos. “Assim, o constructo horizontal-vertical constitui a relação básica do homem com seu meio ambiente. Mas além do equilíbrio simples e estático (...) “( Donis A. Dondis, 2003 pág.32),Donis A.Dondis, ainda ratifica.
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Texto final da fundamentação do TGI 1- Parte 2

“(...) Nossa sociedade é de uma pluriculturalidade tal que poderia assimilar conceitos que associam as mais variadas culturas.” (Luciano Guimarães, 2009. pag.90) Numa realidade onde a sensibilidade humana se torna algo palpável, com maleabilidade, convertendo elementos reais em itens que compõem a arquitetura da dimensão onde se encontram, em forma de obras de arte que representam itens da realidade externa, construções que mantém a ordem e a estabilidade dessa realidade abstrata,  se transforma em algo concreto aos personagens, mas numa outra concepção já que não se trata do mundo externo, onde as leis normais da física funcionam como conhecemos se trata de uma realidade constituída de abstrações existentes no interior do homem, e tudo aquilo onde ele se motiva para gerar seus sonhos, a sua imaginação.



“ Goethe apresentou dois outros elementos na construção do conceito da cor:” o sentido da visão” e a “sensibilidade”.(Luciano Guimarães, 2009. pag.10) Essa interpretação pode ser entendida sob várias maneiras na história, tanto na parte dos personagens como no que os afeta e o que os motiva a  existir  num mundo tão rico, há a necessidade de se  ter uma variedade enorme de elementos que o fortalecem, que o sustentam, dessa forma, uma realidade como essa jamais poderia se concretizar, sem as cores, exemplificando, no que foi usado como base na história do projeto, a dimensão do sensível e tudo que faz dela funcional.“(...) embora tivesse iniciado os estudos sobre as cores a convite de Ghoete, discordou de seu mestre (...) e definiu a cor como outro elemento, “A consciência” onde o mundo do sensível é a nossa representação. Schopenhauer ( Luciano Guimarães, 2009. pag.12 )

Essa relação pré-ordenada do abstrato com as cores é compreendida amplamente no universo do que compõe o homem internamente, e mesmo de acordo com algumas afirmações do próprio Wassily, só há equilíbrio quando ambos estão harmoniosamente exercendo suas capacidades para que não prejudique o que povoa os sentimentos e a vitalidade que permeia o coletivo dos sonhos e a abrangente diversidade da imaginação humana.

Esses fatores tendenciaram o desenvolvimento da história, nesse sentido e dentro das teorias de Kandinsky tudo o que norteia as cores foi inserido, obviamente incluindo as cores primárias itens que são alicerces de  todas as suas variações incluindo uma das mais conhecidas, as sete cores consideradas primordiais, que inseridas notabilizam ainda mais a intenção dos rumos da aventura, amarrando com o que foi apresentando como meios solucionadores de problemas encontrados, e a quantidade exata da relação de sinestetas e as cores primordiais, como ressalta Lilian R. M. Barros  e Luciano Guimarães, logo em seguida.

As cores destacam essa atmosfera de sonho e dá ás formas a outra dimensão, fundamentadas na intuição e na associação simbólica do artista. (Lilian Ried Miller Barros, 2008. pag.207)
Aristóteles – Cor como propriedade dos corpos, defendido em sua obra “De Sense ET Sensibili.Para ele, a cor teria como origem o enfraquecimento da luz branca, ou seja, todos as cores seriam originadas da interação da luz com a obscuridade. Com “o branco e o preto, sete seriam as cores primordiais, das quais derivam as demais. (...) A partir da publicação da lei correta da refração, de Descartes, Isaac Newton se empenhou no estudo da refração da luz (1642 – 1727) e realizou, em 1666, a decomposição da luz branca em sete cores principais: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. (Luciano Guimarães, 2009.pag.9)


Essa idéia está representada no personagem “branco” (Kandinsky) onde toda a sua busca foca-se simbolicamente no resgate de cada uma das cores, e ainda  apresentando seus representantes impares já definidos as formas geométricas estão inseridas e representadas na arquitetura dessa dimensão, mais especificamente as três formas apresentadas pela Bauhaus consideradas as primárias e catapultadas por Kandinsky, o triângulo, o circulo e o retângulo, onde derivam todas as outras formas, seguindo uma mesma premissa juntamente com as cores, que compõem tanto a realidade interna, quanto externa do homem,e também são as originárias, como Ellen Lupton, J. Abbott, exemplificando afirmações de Kandinsky.


O termo tradução aparece no livro da Bauhaus escrito por Kandinsky Ponto e Linha sobre Plano, em que ele se refere ao ato de desenhar correspondências entre marcas gráficas, lineares, e uma série de experiências não gráficas, tais como cor, música, intuição espiritual e percepção visual:” Todo fenômeno dos mundos externo e interno pode receber uma expressão linear - um tipo de tradução. (Ellen Lupton e J. Abbott Miller apud: W. Kandinsky,2008.pag.30)


Frisando essa relação do interno e externo do homem, e a existente ligação de ambos, incluindo as personalidades que deles se sustentam. “O homem do ponto de vista” externo “é “interno”. Receptividade para as formas e as cores. ”(W. Kandinsky, 1996,pag.110) Coordenadas pelo arquiteto do abstrato, Kandinsky o pintor e reinterpretador da visão do mundo externo para o interno, com a administração e supervisão de OIiver Sacks, representando a consciência coletiva da humanidade estão inseridos nesse contexto, nesse relacionamento entre os mundos.

Considerando a nossa realidade, o mundo externo, o real, apresentou durante o decorrer de sua história, erros sucessivos e prejudiciais até os dias de hoje, o homem entrega a própria vida num mar de violência insensata e egoísta, sem medir conseqüências e cada vez mais crescente, é como se desvalorizássemos nossa existência, nós mentimos, roubamos e matamos desenfreadamente, futilmente, como se fosse algo banal,e a dor, e o medo, prevalecem, parece que perdemos a própria consciência do que nos torna únicos, e os considerados quatro cavaleiros do apocalipse passeiam livremente pelo nosso planeta, há tempos.

Fome, peste, guerra e morte, são coisas que nunca deixaram de existir durante todo o trajeto histórico humano. Mesmo um mundo que fornece tanta imaginação, tanta cor, também pode fornecer coisas inversamente proporcionais, como a perda delas em várias situações, e convertendo em momentos monocromáticos, uma representação que simboliza a ausência das cores, e os tons frios, pobres e acinzentados, também influenciam interpretativamente na psique humana. “Efeito das cores sobre seres vivos: psicológico: efeito sobre caráter.”(W. Kandinsky ,1996.pag.58)

 A possibilidade de admitir muitas interpretações, ou seja, polissemia é uma característica fundamental da arte, que até certo ponto podemos também atribuir a cor (...) (Luciano Guimarães apud: W. Kandinsky, 2009. pág.97)

Ainda a demonstração da capacidade da arte de agregar uma amplidão de julgamentos e percepções, onde o mundo interno conseqüentemente também pode ser afetado, os mesmo significados das cores estão nessa realidade e são diretamente convertidos pelas atividades e ações que desgraçam e assolam o ser humano, e gradativamente chegaram ao limite e a inevitabilidade da perda dos valores que sustentam o abstrato, conseqüentemente a cor e seus significados também atingiram os dois seres que de lá se ocupam, Oliver e Kandinsky.


 A posição do artista na aventura é clara, após se recuperar do “acidente” em que sofreu, mesmo estando afetado, não conseguindo mais enxergar a cromaticidade das coisas, caracterizando como daltonismo crônico e raro, ele procura além de suas teorias e percepções sobre o mundo abstrato e de como podemos ter uma possível interpretação do mesmo em outra realidade, e de sua representabilidade longe de ser simplificada [...] “Não percebemos o mundo como um dado bruto, desprovido de significados.” [...] (W. Kandinsky, 1996. pág.170) perdendo os principais itens pertencentes à estrutura da dimensão em que exerce sua função, a ausência da cor é também usada como pano de fundo catalisador de enfermidades de ambos os personagens, e de suas condições além de representar a destruição do positivismo no mundo real, e as sobras dessa falta, indicarão o meio pelo qual se buscará a possível solução. Numa observação mais simbólica é a luta do branco e do preto, dos opostos para a completude da união das cores, e ainda segundo o  próprio pintor.


Em oposição ao preto, o branco é a cor da vida e da paz. “A binariedade branco /preto é normalmente polarizada e assimétrica, atribuindo-se o valor positivo ao branco e negativo ao preto, inicio e fim.” “Por vezes, o preto, como não-cor, estará em oposição à presença das cores. (...) (Luciano Guimarães apud: W. Kandinsky, 2009. pag.92)


Kandinsky foi afetado parcialmente, porque manipula somente as engrenagens dessa realidade, e não comporta toda a representação do pensamento humano, apenas a simbologia parcial de peças fundamentais ao funcionamento da dimensão abstrata, ao contrário de Oliver que abrange um todo, e é a própria consciência coletiva.


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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Texto final da fundamentação do TGI 1


É com esse principio que o projeto será conduzido, uma metodologia que mantenha os fundamentos do design na diagramação da arte seqüencial nas páginas da graphic novel. Dessa forma atraindo o público alvo e compreendendo como eles interagem com publicações gráficas, e as referências acadêmicas existentes, reforçando ainda mais o interesse nessa experiência.




Construção da História

Ainda na complementação do roteiro, o projeto direciona sua base temática no gênero da ficção, mas pelas circunstâncias de seu desenvolvimento, é definido como metaficção. Segundo Patrícia Waugh,

Metafiction is a term given to fictional writing which self-consciously and systematically draw attention to its status as an artefact in order to pose questions about the relationship between fiction and reality. In providing a critique of their own methods of construction, such writings not only examine the fundamental structures of narrative fiction, they also explore the possible fictionality of the world outside the literary fictional text (WAUGH, 1984, p. 02)[1]*


Assim, pode-se criar essa nova realidade, disfarçada e fortalecida na sua intenção acadêmica, usando, em toda sua concepção, os conceitos e teorias de um dos principais professores da Bauhaus na execução da aventura, Wasslly Kandinsky e abrindo espaço para agregar mais referências de distintas áreas que se relacionam em determinadas situações que constituem uma das principais ferramentas que alicerçam toda a base do desenvolvimento dos personagens e da história em geral.

Tomando conhecimento que “a história da ciência nos quadrinhos está intimamente relacionada à história da ficção - cientifica nos quadrinhos” (DANTON, 2005, pag.9), é possível  direcionar as relações da narrativa, ainda como metaficção, ao encontro do outro personagem principal, o cientista e pesquisador (entre outros títulos) Oliver Sacks como figura de contraste frente às angustias múltiplas compartilhadas com Kandinsky, baseadas em fatores físicos, mentais e até relacionados ao entendimento do mundo material, onde a teoria da cor, a simbologia das formas e seu grande poder de representabilidade, além do ritmo nas composições, que criam os questionamentos que direcionam os protagonistas. Esses elementos, que separadamente já são de grande utilidade, mas, no caso do projeto, se bem unificados e atuantes em harmonia, podem elevar a quantidade de referências significativamente para o que virá a ser construído e apresentado fundamentalmente, sempre em favor da história.

Os diversos elementos materiais, e suas definições ditas imateriais, articulam e criam uma base do que é considerado e apresentado como item gráfico, e representado e sendo debatido entre os personagens ainda que conceitualmente, na resolução das questões que os afligem, sendo o fio condutor de toda a trama e da relação entre os protagonistas. De acordo com Lilian R. M. Barros.

 (...) a interpretação simbólica de Kandinsky, bastante inspirada em Goethe, abre diversas frentes para associações entre cores, sons, movimentos e estados de espírito, contribuindo para a arte, para a criatividade e para o ensino. (Lilian Ried Miller Barros, 2008. pág.178)


Como a arte em si pode ser representada de tantas formas, não seria difícil correlacionar possíveis interpretações usando soluções não só de maneira simbólica, mas também de acordo com a situação no contexto em que está sendo representado, no caso, o que Kandinsky se situa nessa realidade abstrata, a segunda realidade, como o arquiteto do mundo do sensível, entendem como possíveis soluções, usando cores, formas e som, como caminhos a serem trilhados e numa espécie de sentido rítmico indiretamente sugerido.

Já em nossa realidade, a busca se transforma numa necessidade do entendimento musical dos mecanismos que dele se podem manipular resultando na sua ligação com o mundo cromático, e do que pode ser extraído e convertido num meio tradicional e comum ao homem, ou seja, concretamente como uma forma de comunicação, Lilian ressalta Kandinsky acerca dessa observação.

A crença do pintor numa correspondência sensorial por meio das transferências sinestésicas revela, segundo Wingler, a necessidade de Kandinsky de encontrar “regras que pudessem ser aplicadas a serviço da comunicação”. Nesse sentido, o reconhecimento da sinestesia pela comunidade cientifica teria sido muito oportuno à confirmação de suas intuições a respeito das afinidades entre sons e cores. (Lilian Ried Miller Barros, 2008. pág.166)


Essa relação é que será o principal motor que irá conduzir o personagem numa aventura arriscada e inerentemente altruísta, envolvendo a busca por sete cores e pessoas de percepção diferenciada, graças a dons impares ainda estão livres da influência negativa em que a grande maioria se encontra, e que vivem em cada uma das dimensões da cor, que agora residem separadamente.

Representados pelos pacientes de Oliver, essas pessoas carregam em si doenças de espécies raras e fortes, mas também em contrapartida o dom de interpretar o som e a cor de maneira impar, única, e essa condição diferenciada é que os indicará como elementos indispensáveis para o sucesso da missão, definida por Oliver e Kandinsky e o que será utilizado para a busca da sintonia.

Já que a visão foi afetada de diversas formas o outro sentido tão importante quanto, terá o papel de ser a alternativa viável para encontrar a freqüência sonora que agirá como uma anomalia e tentará como uma espécie de vírus, se espalhar em ondas sonoras que gradualmente afetem a influência negativa em que todos os seres humanos estão condicionados.

 Esse domínio individual pela cor das dimensões é contra as leis naturais do espaço e do abstrato, essa situação errada poderá alterar o que é correto se durar mais tempo. É preciso uni-lás novamente para a condição da consciência humana coletiva, destruindo as sete dimensões de cores distintas que surgiram após os eventos pecaminosos cronológicos da humanidade voltando ao seu ponto de origem, e fazer as engrenagens da máquina universal, regressar ao seu exercício habitual e organizar o eixo, unindo as cores para trabalharem numa mesma dimensão. “Dimensão – a cor domina sempre.”( W.Kandinsky ,1996.pag.52)

Com a ajuda dessa ação e no processo de união das cores perdidas, Kandinsky exercerá sua função e ele estará unindo, em etapas, itens necessários ao desenvolvimento de uma única obra, abstrata que será o resultante final após todo o recolhimento das mesmas, “Arte abstrata – idéia: emprego dos elementos puros da pintura segundo uma necessidade interior.” (W. Kandinsky,1996. pag.12)

É essa necessidade que o levará numa espécie de ação rítmica que consistirá num resultante projeto gráfico que se assemelhará a uma pintura e consistirá na representação do que ali por diante será o símbolo do otimismo em forma de arte, “Ritmo – Relação absoluta entre tensões, semelhante em todas as artes: pintura, música, dança escultura, poesia, arquitetura. “(W. Kandinsky, 1996. pag.120) construído numa linguagem artística composta de maneira única, e citando Kandinsky através de Lilian R.M. Barros:

Todas as influências, sensoriais e místicas, reforçavam a vontade de Kandinsky de associar as linguagens das diferentes artes, a fim de libertar o espírito humano para um renascimento social. (...)(Lilian Ried Miller Barros, 2008.pág.166)


E esse intencional renascimento social está embutido na aventura e através de etapas, especificamente uma em que se conhece a situação em que os personagens se encontram e o porquê de determinado momento, e a outra constituirá no processo de encontrar resoluções através de uma conversação entre os personagens onde apresentam seus pontos de vista e na tentativa de encontrar um salvamento, que represente um resgate dos valores sociais humanos, a escolha dos títulos de cada capítulo seguiu uma linha onde traçasse um paralelo entre as definições de Kandinsky sobre o processo gradativo de desenvolvimento de suas obras, e se enquadrasse com os pontos de vista do pintor, no contexto em que posiciona a situação dos personagens na história, intitulando-as como se fossem composições musicais, segundo Lilian Ried.

Com relação às suas próprias obras, o pintor classifica-as em três gêneros distintos: Impressões. (...) Improvisações: expressões de sensações ou pensamentos do artista, provenientes de súbitas intuições, que podiam ser inconscientes; tratava-se para Kandinsky de impressões da natureza interior.
Composições: semelhantes à concepção das improvisações, só que elaboradas lentamente, desde os primeiros esboços, por meio de várias reproduções e análises, até atingirem uma composição ideal. Para Kandisky, mesmo sob a diretriz da sua intuição de artista, a elaboração de uma composição envolvia também a inteligência, o consciente, a intenção lúcida e a finalidade precisa. ( Lilian Ried Miller Barros,2008.pág.167)


 O roteiro usa metaforicamente essa intenção composicional estruturada em fatos e teorias reais, tanto para a finalidade da futura missão de Kandinsky quanto para a representabilidade dos momentos em que se utilizava de longos debates acerca dos temas abordados, dessa maneira mais uma vez dará maior credibilidade ao que já faz parte da História.

Na dimensão onde os personagens existem e executam suas devidas funções, há elementos que corroboram para a ligação com o mundo externo, sendo que o interno não se sustenta sem o externo, um precisa da condução do outro para coexistir sem falhas e exercer sua função corretamente. Essa realidade se sustenta na simbologia das formas e cores, e da diversidade cultural existente na sociedade humana.



[1] *”Metaficção é um termo dado para a escrita de ficção que intencional e sistematicamente chama atenção para seu status de artefato a fim de questionar a relação entre a literatura de ficção e a realidade. Ao produzir uma crítica dos seus próprios métodos de construção, tal escrita não examina apenas estruturas fundamentais da narrativa de ficção, como explora também a possível ficcionalidade do mundo exterior ao texto literário de ficção.” (Tradução de Janine Resende Rocha em METAFICÇÃO NOS ROMANCES DE MACHADO DE ASSIS)[1]

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

FUNDAMENTAÇÃO - O Resgate da Consciência

 O Roteiro


A história referenciada para este projeto de novela gráfica (história em quadrinhos de autor comumente direcionada a um público adulto) parte do pressuposto de que existe uma dimensão paralela a nossa, uma realidade onde o interior, o espiritual do coletivo do homem, a constitui, onde toda a abstração proeminente da humanidade prevalece, onde cores e formas existem harmoniosamente, criando orquestrações cromáticas perfeitas.

Denominada aqui como “mundo do sensível” ou num termo mais técnico, segunda realidade. E é nessa realidade, onde dois seres são responsáveis pela manutenção e estruturação harmônica, que Wassily Kandinsky, caracterizado como um arquiteto, também pintor, responsável pela manutenção e estrutura de todo o local, e um Neurologista e Psicanalista, Oliver Sacks praticamente o coordenador da consciência coletiva.

A funcionalidade desse mundo depende do comportamento da consciência coletiva humana que reside na dimensão principal, que é de onde tudo se origina, e é necessário para a conservação dos alicerces que sustentam esse mundo, administrados por Kandinsky e Oliver.

Mas durante muito tempo a humanidade abusou de seus erros, e caminhou em constantes pecados e graças a isso, essa realidade foi ruindo aos poucos, e mesmo com o esforço conjunto dos responsáveis para mantê-la, a situação chegou num momento insustentável e tudo ruiu.

E após um longo silêncio, Kandinsky desperta atordoado, e olhando ao redor percebe que tudo está diferente, algo foi alterado, mas não sabe exatamente o que, ele sente que algo está errado, e percebe que só seguindo em frente, encontrará respostas, e o único som que ouve é o de seus passos.


Na curva dominante encontra seu amigo Oliver, sentado numa escada cabisbaixo, e percebe de longe o sentimento de dor e tristeza que dele exala.

Ao questioná-lo sobre a situação atual da dimensão que eles administram, e com enorme pesar nas palavras, Oliver lhe conta dos pecados cometidos pela humanidade no decorrer da conversação, e mesmo com boas ações, os erros persistiram em quantidade redobrada comparados as boas ações, e a perda da consciência foi uma questão de tempo.

Entendendo agora como sua visão e percepção dessa realidade foi obliterada por esses tristes acontecimentos, Kandinsky questiona Oliver na intenção de encontrar uma solução, e aos poucos percebe que ele também foi afetado, enquanto Wassily perdeu a capacidade de ver as cores, Oliver não enxerga mais.

Enquanto um representa o branco absoluto, o outro é a cor negra em seu mais alto simbolismo.

Mesmo com tudo desfavorável Kandinsky procura uma solução, vendo que a única maneira de restabelecer uma ordem no mundo do sensível, depende só dele, já que Oliver está praticamente sem forças, e totalmente entregue ao vácuo.

Conversando com Oliver, buscando uma resolução para tal situação eles apresentam teorias sobre o funcionamento da mente humana, através de outros sentidos, e passam por ritmo, música e cor, entre indagações sobre o comportamento e como suas ações afetaram seu mundo.


Eles conseguem encontrar um possível caminho, se resgatar as cores, tanto Oliver recuperará a sua visão juntamente com a consciência coletiva, quanto Wassily terá a possibilidade de restaurar o código cromático para sua própria visão, afinal ele vai mergulhar num novo mundo onde as cores foram distintamente convertidas e são submetidas aos caprichos dos pecados da humanidade, ele terá que não só readquirir a capacidade de compreender as cores, para poder direcioná-las ao trajeto positivo convertendo numa obra que simbolizará a consciência humana, como também salvar todo o espírito humano sem se perder completamente no processo.
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METODOLOGIA

O presente projeto foi dividido em etapas que contemplarão as necessidades apresentadas pelo trabalho. Para o embasamento teórico será feita a revisão bibliográfica, a partir da qual será organizada a revisão da literatura, com os principais assuntos: layout, narrativas gráficas e ilustração, elementos detalhadamente analisados e conceituados na fundamentação teórica.

Todos os itens que qualificam a pesquisa para a construção da Graphic Novel, são reconhecidos historicamente porque já foram experimentados anteriormente em variados projetos, por especialistas reconhecidos e com essa devida importância compreendem a relação de todos, e o efeito que fazem nos telespectadores.

Scott McClound (2005) e Will Eisner (1999) personificam essa certeza com suas afirmações sobre ilustração e toda a estrutura gráfica que dela se sustenta, e acordando ainda com o registro do fato das ilustrações desenhadas serem elementos importantes na página impressa, isso ainda quando o design moderno se encontrava em seus primeiros estágios, segundo comentários registrados de Allen Hurlburt.

Além da base teórica pré-estabelecida, ainda havia uma necessidade da escolha de uma Metodologia acadêmica definida e criteriosa, que pudesse inserir o projeto conduzindo-o etapa por etapa ordenadamente e obedecendo a regras estabelecidas para vinculá-lo ainda mais com sua natureza cientifica.

Maria Luiza Peón (2003) apresenta uma metodologia de projeto, comprovadamente coerente e funcional, consistindo na realização de produtos gráficos, dividida em etapas e focalizando em cada uma um objetivo para um melhor discernimento do pesquisador.


Dessa forma a escolha da Metodologia para o projeto em questão se torna plausível e apresenta ações que podem ser adaptadas ao presente projeto, apenas em suas etapas finais, se enquadrando em todo o processo de projetação, devido ao tipo de projeto, então dessa forma seguindo o fluxograma de Peón, que vemos no gráfico abaixo:



Ainda de acordo com Peón, as fases de projetação se dividem em três etapas, constituídas de ações que estruturam todo o projeto.
Problematização – Essa etapa compreende a situação do projeto, a arrecadação dos dados, será realizada uma pesquisa em alguns projetos acadêmicos que se assemelhem à temática, focando no que ainda não foi feito nessa área, e que se enquadrará no conceito de Graphic Novel.

Copilando todas as informações referentes e necessárias, aos itens compositivos do projeto, personagens, definição da história, o seu roteiro, que usa como alicerce a teoria da cor em toda sua concepção, dividindo a quantidade de referências utilizadas, tanto na história, quanto nos dois personagens principais, que serão caracterizados como personalidades da história do design gráfico.

 O Desenvolvimento descritivo do cenário em que ocorrerá a trama, em sumo, todas as informações que completam o roteiro e que determinam o trabalho a ser desenvolvido. Reconhecendo a situação do projeto e o que ele deve seguir previamente, antes da construção das ilustrações, para ser estruturado nos princípios do design gráfico.

Concepção - É a execução do projeto, se caracterizará pelo processo de ilustração propriamente dito, onde se dividirá em três ações. Seguirá o estilo pré-definido pelo pesquisador, respeitando conceitos da fundamentação, ou seja, os princípios do design gráfico, buscando aproximar o traço do real, com detalhamento, sombras, dando volume, e peso visual aos personagens, além de imagens abstratas que complementam a situação dos personagens e o plano de fundo da história, que como um todo comporá o projeto gráfico.

·        Geração de alternativas – Partindo dos requisitos dos princípios estabelecidos, são geradas alternativas diversas de solução, esboços preliminares das ilustrações, dos elementos do plano de fundo, local onde ocorrerá a história, rascunhos do layout em geral.
·        Definição do partido – Avaliação das alternativas, e aperfeiçoamento dos esboços gerados.
·        Solução – A realização de uma última rodada, e nivelamento da alternativa mais consistente.

Especificação - Definidas para a finalização do produto gráfico, no caso da Graphic Novel. Revisão geral do material pré-acabado, seguido da arte-finalização das ilustrações, a aplicação das cores, dos balões de falas dos personagens, textos adicionais, e o processo de acabamento para impressão, tipo de papel, etc.

Frisando ainda que em algumas etapas da projetação alguns itens existentes da metodologia de Peón, foram adaptados devido à distinção dos projetos direcionados para cada tarefa, mas que não alteraram a linha de raciocínio metodológico apresentada pela autora, que coordenará toda essa atividade.



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