O Roteiro
A história referenciada para este projeto de novela gráfica
(história em quadrinhos de autor comumente direcionada a um público adulto)
parte do pressuposto de que existe uma dimensão paralela a
nossa, uma realidade onde o interior, o espiritual do coletivo do homem, a
constitui, onde toda a abstração proeminente da humanidade prevalece, onde
cores e formas existem harmoniosamente, criando orquestrações cromáticas
perfeitas.
Denominada
aqui como “mundo do sensível” ou num termo mais técnico, segunda realidade. E é
nessa realidade, onde dois seres são responsáveis pela manutenção e
estruturação harmônica, que Wassily Kandinsky, caracterizado como um arquiteto,
também pintor, responsável pela manutenção e estrutura de todo o local, e um
Neurologista e Psicanalista, Oliver Sacks praticamente o coordenador da
consciência coletiva.
A
funcionalidade desse mundo depende do comportamento da consciência coletiva
humana que reside na dimensão principal, que é de onde tudo se origina, e é
necessário para a conservação dos alicerces que sustentam esse mundo,
administrados por Kandinsky e Oliver.
Mas
durante muito tempo a humanidade abusou de seus erros, e caminhou em constantes
pecados e graças a isso, essa realidade foi ruindo aos poucos, e mesmo com o
esforço conjunto dos responsáveis para mantê-la, a situação chegou num momento
insustentável e tudo ruiu.
E
após um longo silêncio, Kandinsky desperta atordoado, e olhando ao redor
percebe que tudo está diferente, algo foi alterado, mas não sabe exatamente o
que, ele sente que algo está errado, e percebe que só seguindo em frente,
encontrará respostas, e o único som que ouve é o de seus passos.
Na
curva dominante encontra seu amigo Oliver, sentado numa escada cabisbaixo, e
percebe de longe o sentimento de dor e tristeza que dele exala.
Ao
questioná-lo sobre a situação atual da dimensão que eles administram, e com
enorme pesar nas palavras, Oliver lhe conta dos pecados cometidos pela
humanidade no decorrer da conversação, e mesmo com boas ações, os erros
persistiram em quantidade redobrada comparados as boas ações, e a perda da
consciência foi uma questão de tempo.
Entendendo
agora como sua visão e percepção dessa realidade foi obliterada por esses
tristes acontecimentos, Kandinsky questiona Oliver na intenção de encontrar uma
solução, e aos poucos percebe que ele também foi afetado, enquanto Wassily
perdeu a capacidade de ver as cores, Oliver não enxerga mais.
Enquanto
um representa o branco absoluto, o outro é a cor negra em seu mais alto
simbolismo.
Mesmo
com tudo desfavorável Kandinsky procura uma solução, vendo que a única maneira
de restabelecer uma ordem no mundo do sensível, depende só dele, já que Oliver
está praticamente sem forças, e totalmente entregue ao vácuo.
Conversando
com Oliver, buscando uma resolução para tal situação eles apresentam teorias
sobre o funcionamento da mente humana, através de outros sentidos, e passam por
ritmo, música e cor, entre indagações sobre o comportamento e como suas ações
afetaram seu mundo.
Eles
conseguem encontrar um possível caminho, se resgatar as cores, tanto Oliver
recuperará a sua visão juntamente com a consciência coletiva, quanto Wassily terá
a possibilidade de restaurar o código cromático para sua própria visão, afinal
ele vai mergulhar num novo mundo onde as cores foram distintamente convertidas
e são submetidas aos caprichos dos pecados da humanidade, ele terá que não só
readquirir a capacidade de compreender as cores, para poder direcioná-las ao
trajeto positivo convertendo numa obra que simbolizará a consciência humana,
como também salvar todo o espírito humano sem se perder completamente no
processo.






